Transporte aéreo – relatório de estágio

Publicado: 26 de junho de 2011 em TCCs E RELATÓRIOS
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Estágio Supervisionado JJVET

Relatório de estágio

Cristina Bessa

Objetivo: Relatar o transporte aéreo de equinos, realizado no dia 19 de Abril de 2011, no trajeto São Paulo X Manaus.

O transporte aéreo de animais é desenvolvido desde 1930. No mundo moderno de hoje, o transporte de animais vivos por via aérea é considerado o método mais humano e eficaz para o transporte a longas distâncias.

O Live Animals Regulations (LAR) (Regulamento para animais vivos) é o padrão mundial para o transporte de animais vivos por companhias aéreas comerciais. Se tratando de um animal de estimação, um animal transportado para fins zoológicos ou agrícola, ou por qualquer outro motivo, o objetivo do regulamento é para garantir que todos os animais sejam transportados de forma segura e humana por via aérea.

Na sua resolução para o transporte de espécimes vivos, o Convention on International Trade in Endangered Species (CITES) (Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas) recomenda que todas as partes encarregadas da elaboração e transporte de amostras de animais vivos, siga as instruções fornecidas pela LAR e incorporando nas suas legislações nacionais.

A atividade desempenhada no dia 19 de Abril, foi o de transportar 2 equinos, machos, 10 anos de idade, da raça Brasileiro de Hipismo, da cidade de São Paulo (SP), saindo do aeroporto de Guarulhos, tendo como destino Manaus (AM), sendo acompanhada por um médico veterinário.

O embarque estava programado para as 5h da manhã, sendo necessária a chegada dos animais com quatro horas de antecedência, inclusive do profissional que irá acompanhar os animais. Essa antecedência se deve ao fato da avaliação pelo médico veterinário das instalações dos animais, check-in de documentação, e ainda tentar minimizar o estresse dos animais gerado pela viagem.

Portanto, chegando ao aeroporto o médico veterinário deve entregar os documentos exigidos para o encarregado do embarque, no caso deste destino a documentação foi os exames negativos para Anemia Infecciosa Equina, e Mormo, atestado sanitário e ainda o Guia de Trânsito Animal.

Os animais são transportados em um avião exclusivamente de carga, devendo ser colocados em um estrutura, de material resistente, dividida em 3 baias, podendo assim comportar 3 animais. O veterinário deverá checar essas baias, avaliando se há peças soltas, pontiagudas, ou qualquer outra forma que possa apresentar algum risco ao animal. Deverá também se certificar se há alimentação disponível, e em viagens mais longas água também disponível. O piso deverá ter material que absorva os dejetos dos equinos, tais como cama de serragem, e que apresente certa segurança do contato do pé ao chão.

Após todos os documentos conferidos, e as instalações, é aconselhável 1h antes do embarque a sedação dos animais; mesmo que se trate de um animal manso, esta sedação dará certa segurança ao vôo, minimizando chances de acidentes dentro do avião.

Neste vôo, foi administrado por via intramuscular, 1,5ml de acepromazina (dose: 0,02 – 0,05 mg/kg IV ou IM), uma fenotiazina, a mais potente delas, causando uma leve sedação, sonolência, apatia, no animal. É observado após sua administração ptose e queda de cabeça, o animal permanecendo em estação. Como alimentação, os animais tiveram feno disponível amarrados na baia.

Devemos sempre pensar nas situações indesejáveis, e muitas vezes inesperadas durante o vôo, pensando nisso devemos estar sempre preparados, por isso o médico veterinário leva para a viagem uma maleta com diversos medicamentos, agulhas, seringas, ou seja, um kit de emergência para essas situações, como por exemplo, se for necessário sacrificar o animal em pleno vôo. A eutanásia pode ser feita com a pré-anestesia com a acepramozina (já discutida anteriormente), e aprofundamento, levando a uma anestesia, com o tiopental. Esta droga é para uso de anestesia geral barbitúrica, causando no Sistema Nervoso Central depressão irregular, excitação na fase de indução, é anti-convulsivante, reduz pressão intracraniana e faz depressão do centro termorregulador; no Sistema Cardiovascular causa depressão do centro vasomotor, deprime o miocárdio, reduz pouco a PA; no Sistema Gastrointestinal, reduz motilidade e secreções; e no Sistema Urinário, reduz fluxo, filtração e volume urinário. É usado o de concentração de 5% (20 ml em 1g), na dose de 2 – 10mg/kg, em bolus intermitente. Em seguida com o animal já anestesiado, é administrado lidocaína, anestésico local, responsável pelo bloqueio da geração e condução de impulsos nervoso, é administrada por via intra-tecal bloqueando os impulsos dos centros cárdio-respiratórios, deprimindo-os e em conseqüência ocorre apnéia e parada do miocárdio. O volume inicial administrado é de 20 ml, mas pode ser aumentado de acordo com a reação do animal, até que ele pare de respirar.

Após o embarque, o veterinário checa os animais de tempos em tempos, avaliando conforto, nível de estresse, alimentação, temperatura, entre outros. A temperatura em que os animais foram transportados foi em torno de 16 – 14o C, sendo uma temperatura favorável para os mesmos.

Chegando ao destino, novamente os documentos são conferidos, e estando tudo de acordo os animais são desembarcados do avião, e levados para a área em que embarcarão de caminhão para seu destino final, neste caso a Hípica Nilton Lins.

É importante ressaltar a importância do médico veterinário neste tipo de trabalho, pois somente ele está apto para promover uma segurança e bem-estar aos animais, somente ele será capaz de resolver qualquer emergência causada por ou nos animais.

Bibliografia complementar:

Live Animals Transportation by Air, disponível em http://www.iata.org/whatwedo/cargo/live_animals/Pages/index.aspx

Conf. 10.21 (Rev. CoP14), Transport of live specimens, disponível em http://www.cites.org/eng/res/10/10-21R14.shtml

MPA, Material de Farmacologia, Prof. Fabíola, Universidade Presidente Antônio Carlos – Juiz de Fora (MG).

Dr. Eduardo Hatschbach, Anestesiologia, Qualittas Pós-graduação.

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