MIELOENCEFALITE PROTOZOÁRIA -MEPE (EPM)

Publicado: 10 de outubro de 2011 em ARTIGOS
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HISTÓRICO

 

A Mieloencefalite Protozoária Eqüina (Equine Protozoal Myeloencephalitis – EPM) foi inicialmente descoberta em 1964, os primeiros casos foram reconhecidos entre American troters que retornavam para o Kentucky, de pistas de corridas do Nordeste dos Estados Unidos. Foram informados casos subseqüentes em cavalos nativos na maioria dos EUA como também no Canadá, México, Argentina, Panamá e Brasil. Após várias investigações científicas, ficou aparente que o cérebro era freqüentemente envolvido, então foi dado o nome de MIELOENCEFALITE FOCAL. Dez anos depois, um protozoário semelhante ao Toxoplasma foi identificado em cortes histopatológicos e a doença foi chamada de EPM. Relataram também que o organismo era muito semelhante ao Sarcocystis falcatula e que tem o Gambá como é o hospedeiro definitivo. Os hospedeiros intermediários naturais são as aves da família Icteridae (Vira-bosta, Merlão, etc.), embora podem ser afetados outros numerosos hospedeiros intermediários.

Mais tarde houve a confirmação que este organismo é o agente causal de EPM, sendo confirmado por indução experimental da doença, completada recentemente pelos pesquisadores da Universidade de Kentucky.

 

EPIDEMIOLOGIA

 

Em ordem descendente de freqüência, PSI (Puro sangue inglês), American Troter, e Quarto de Milha, são freqüentemente afetado na América Latina, embora foram representadas muitas outras raças. Normalmente só um animal em um rebanho ou local é afetado, embora recentemente houve relatórios de haras com incidências mais altas de EPM.

A idade dos cavalos afetados varia de dois meses a dezenove anos, mas mais de 60% tem quatro anos ou menos. Nenhuma predileção geográfica ou sazonal pode ser estabelecida.

Recentes investigações em amostras de sangue colecionadas de cavalos em Ohio, Kentucky e na Pennsylvania demonstraram uma taxa de exposição acima 40% entre cavalos clinicamente normais e resultados de um estudo relativo a cavalos de Ohio indicaram um aumento em soropositivos com a idade e uma diminuição com um aumento do número de dias frios.

Em 1978, a Universidade de Cornell informou que 25% de todos os casos de doenças neurológicas em eqüinos eram devido a EPM. O número de casos diagnosticados na Universidade de Kentucky, Lexington, KY, aumentou aproximadamente de 8% para 15% durante os últimos anos.

Um recente relatório do Hospital Veterinário Universitário do Estado de Ohio revelou uma incidência de 25% de EPM em todos os cavalos que apresentavam uma ataxia espinhal em 1992, enquanto em 1995 registrou 52.9%, baseado em análise do soro sangüíneo e CSF (Fluído cefalo-espinal).

É difícil determinar se este aumento é devido a um crescimento no número de animais acometidos ou de um diagnóstico da doença devido a disponibilidade de testes de soro sangüíneo e fluido cerebrospinal (CSF).

O número de animais acometido que são levados a óbito representam ainda uma porção pequena do número total de cavalos afetados anualmente. As amostras de CSF encaminhadas aos laboratórios dos EUA sugerem que mais de mil casos ocorrem por ano.

 

ETIOLOGIA / CICLO DE VIDA

 

Sarcocystis neurona foi cultivado de lesões de SNC – Sistema Nervoso Central de oito cavalos de vários locais diferentes: Nova Iorque, Califórnia (3), Panamá(2) e Kentucky (3). Um estudo morfológico, imunológico, e comparações de DNA descobriram só diferenças secundárias entre eles. Estas cepa de Sarcocystis spp não apresenta-se ser transmissível a outros animais. A infecção transplacental não foi informada mas não pode ser ignorada. Muitos potros normais foram produzidos por éguas suspeitas de EPM. O caso de EPM mais precocemente informado foi em um potro de dois meses. Se a transmissão transplacental não acontece, o período de incubação mínimo pode ser oito semanas. Porém, um recente caso sugere que o período de incubação possa ser muito mais curto. Amostras de Soro e CSF, 4 dias após o inicio de sinais clínicos eram ambos negativos para S. neurona. Amostras de Soro e CSF depois 3 1/2 semanas eram ambos positivos. Isto indica que o parasita foi ingerido e causou sinais clínicos no 10-12º dia, exigindo uma resposta de anticorpo detectável pelos testes.

Sarcocystis spp pertence ao Filo apicomplexa de que inclui vários gêneros de coccidios e utiliza um ciclo de vida obrigatório hospedeiro-parasita. A gama de hospedeiros para espécies individuais de Sarcocystis é normalmente estreita. Sarcocystis spp produz oocistos esporulados na parede de intestino do hospedeiro definitivo (gambá). Porém, a parede dos oocistos é muito frágil e normalmente rompe antes de ser passada nas fezes. São introduzidos esporocistos na comida e provisão de água do animal do ou hospedeiro intermediário por contaminação fecal do gambá. Pássaros e insetos podem servir como hospedeiros de transporte para uma disseminação adicional dos esporocistos.

Uma pesquisa demonstrou que estes esporocistos ficam viáveis por um espaço de tempo razoável , facilitando sua disseminação.

Uma vez ingerida pelo hospedeiro intermediário(pássaros), os esporocistos libertam esporozoítos que penetram o intestino e entram nas células endoteliais arteriais em vários órgãos. Os esquizontes se desenvolvem rapidamente e eventualmente rompem as células do hospedeiro que libertam merozoítos na circulação sangüínea. Isto normalmente é seguida por um segundo círculo de merogonia em células endoteliais ao longo do corpo. São libertados merozoítos de segunda geração no fluxo sangüíneo e normalmente entram nas células musculares, onde desenvolvem em esquizontes especializado conhecidos como sarcocistes. Os sarcocistes maduros contêm bradizoitos que só pode completar o ciclo de vida quando ingeridos pelo hospedeiro apropriado (gambá).

O cavalo é um hospedeiro aberrante, sem perspectiva.

Sarcocystis neurona provavelmente desenvolve-se normalmente entre 2 ou mais espécies da vida selvagem. A lista de animais que podem servir como o hospedeiro intermediário é extremamente longa sendo também sugeridas muitas espécies como hospedeira definitiva:

 

 gambás, guaxinim, ou tatus são os mais prováveis

 

 

Em 1995, análises provaram uma forte evidência que o gambá é o hospedeiro definitivo, este estudo revelou uma homologia de 99.67% com esporocistos do gambá e Sarcocystis falcatula. O gambá é nativo da América do Norte, Central e Sul, o que coincide com o fato que só foram informados casos de EPM em cavalos que viveram em áreas por ele habitada.

Além do gambá, há especulações que podem ser envolvidos outros vetores. Não parece possível que apenas uma espécie possa disseminar este organismo por todo Ocidente. Os pássaros são distribuídos amplamente pelos países e muito bem podem servir como vetores de transporte. Como também, vários vetores de transporte como a barata e outros insetos.

 

SINAIS CLÍNICOS

 

Os sinais clínicos de Sarcocystis neurona podem ser bastante variáveis, sendo uma reflexão das lesões focais, multifocais ou de natureza difusa que acontecem fortuitamente no sistema nervoso do animal.

Normalmente ao exame físico os cavalos apresentam-se alertas, embora uma atrofia focal muscular possa ser observada. O começo dos sinais clínicos pode ser gradual, mas, mais tipicamente há sinais moderados e progressão rápida.

O exame neurológico revela freqüentemente ataxia e incoordenação em todos os quatro membros, que às vezes mostram lateralização ou pode haver anormalidades da deambulação em um só um membro.

A atrofia muscular é muito comum no quadríceps e regiões glúteas nos membros pélvicos, se a base do cérebro é envolvida, ocorrerá atrofia dos músculos temporal, masseter e ocasionalmente a língua, paralisia de nervo facial e dificuldade de deglutição.

Uma reclamação freqüente é a manqueira obscura que pode progredir a ataxia, espacidade e incoordenação dos membros.

A natureza assimétrica dos sinais clínicos é importante para o reconhecimento da EPM.

 

PATOGENIA

 

Sarcocystis neurona não causam grandes patologias no hospedeiro intermediário apropriado, porém, lesões no sistema nervoso central no cavalo são freqüentemente extensas. As lesões podem ser desde microscópicas a vários centímetros.

O cérebro e espinha dorsal são freqüentemente afetados e microscopicamente, estas lesões são caracterizadas por difundir áreas de inflamação focal e necrose.

Foram achados organismos em neurônios, leucócitos, e endotélio vascular, embora desenvolvem-se freqüentemente em neurônios.

 

IMUNODIAGNÓSTICO

 

A análise imunológica do soro sangüíneo e fluido cerebrospinal (CSF) promove informações antemortem importantes sobre exposição de S. neurona.

O teste utiliza cultura de merozoítos para descobrir anticorpos dirigidos contra proteínas semelhantes a S. neurona, podendo diferenciar anticorpos produzidos a outros organismos. O teste do Fluído Cérebro-espinal demonstrou 89% de especificidade e sensibilidade entre aproximadamente 300 casos neurológicos coletados no post-mortem.

Um CSF positivo indica que parasitas penetraram a barreira hemato-encefálica e estimularam uma resposta imune local.

Se a integridade da barreira de hemato-encefálica foi rompida, anticorpos circulantes podem escoar, podendo produzir um falso resultado positivo.

Falsos resultados negativos foram raros, mas podem acontecer.

Vários cavalos que inicialmente eram positivo ficaram negativos depois de várias semanas de tratamento e se recuperaram.

Animais afetados cronicamente podem tornar-se negativos após o tratamento mas, mesmo assim apresentarem sinais clínicos neurológicos devido a lesões irreparáveis no sistema nervoso ou, a produção de anticorpo ficar abaixo de sensibilidade de teste.

 

DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL

 

Qualquer doença que afete o sistema nervoso central deve ser aferida, embora, dependendo da localização neuroanatômica, certos problemas podem ser mais prováveis. Quer dizer, em um cavalo com fraqueza, ataxia e espasticidade de todos os quatro membros sem atrofia de músculo ou déficits de nervos cranianos, podem nos levar a pensar em mielopatias cervicais estenóticas (CVM) ou mieloencefalopatias degenerativas. Ambos afetam cavalos jovens (1-3 anos de idade), mas CVM acontece mais freqüentemente em machos, os sinais clínicos são freqüentemente simétricos com o membros anteriores mais afetados que os posteriores. Os sinais podem ser exagerados dobrando ou estendendo o pescoço.

Herpesvirus (Equine herpesvirus myeloencephalitis – EHV1), freqüentemente tem um começo agudo seguindo um episódio de febre, tosse e descarga nasal ou seguindo um ou mais abortos em uma fazenda. Esta condição afeta freqüentemente mais de um cavalo em uma fazenda. Herpesvirus tem um começo rápido e freqüentemente resulta em fraqueza severa dos posteriores e ataxia junto com uma deficiência orgânica da bexiga (incontinência).

Outra doença que deve ser considerada como um diferencial para EPM é a Polineurite da cauda eqüina (Polyneuritis Equi.), esta doença é mais comum em cavalos maduros e normalmente começa com hiperestesia que progride a anestesia. Há paralisia progressiva do rabo, reto, bexiga e uretra que conduzem a incontinência urinária, ataxia do membro pélvico com ou sem atrofia glútea.

A mieloencefalopatia verminótica também deve ser considerada, sendo os sinais clínicos extremamente variáveis, de acordo com o caminho migratório do parasita. O começo é normalmente súbito com deterioração rápida e morte. A incidência desta doença é muito baixa, talvez devido aos controles anti-parasitários.

 

 

TRATAMENTO

 

Foram descritos vários regimes de tratamentos para EPM e >60% dos cavalos responderam a estes tratamentos e os sinais clínicos regressam completamente em 55-60% dos casos. O tratamento mais usado emprega uma combinação de sulfonamidas potencializadas (Trimethoprim/Sulfas) e pyrimethamina. Esta combinação causa um bloqueio seqüente de metabolismo do folato nos protozoários.

Porém a terapia com pyrimethamina em altas doses e períodos prolongados resulta em anemia. A maioria dos tratamentos são administrados durante pelo menos 12 semanas, mas às vezes deve ser estendido a 16 semanas ou mais. Depois que terapia inicial foi completada, alguns clínicos recomendam tratar novamente cavalos que sofrerem um período de stress. Outras terapias de tratamento intermitentes também foram usadas, como tratamento uma vez cada dois a quatro semanas, ou diariamente durante a primeira semana de todos os meses. Tratamento intermitente podem aumentar o risco dos parasitas que infetam um cavalo desenvolverem resistência a droga. Então, não é recomendado tratamentos intermitentes ou periódicos.

Recentes problemas com a resposta para terapia atual conduziram a aumentar a dose da mistura de sulfa/pyrimethamine. Uma prática atualmente usada por alguns clínicos para cavalos que não respondem a 30 dias de tratamento é aumentar dosagens do medicamento. Isto também aumenta a importância de monitorar sinais de deficiência de ácido fólico (anemia), avaliando-se o eritrograma pelo menos cada 2 semanas.

Recentes discussões relativas a EPM conduziram a relatórios de uso de tetraciclinas em alguns casos que continuam sendo CSF + depois de muitos meses (6 meses ou mais) com a combinação de sulfa/pyrimethamine. Este uso é baseado na inibição da síntese de proteínas, porém, nenhuma tentativa controlada foi executada até o momento. Não está claro que seu uso, um agente de bacteriostático, seria curativo.

Terapias adicionais também estão sendo usadas por alguns clínicos. Estas terapias incluem o uso de estimulantes imunes como Eqstim®, Equimune®, alfa-interferon, ou levamisole. Estas combinações podem impulsionar imunidade celular não-específica.

A imunidade celular é necessária para libertar o corpo destes parasitas. A eficácia destas combinações foi estabelecida em humanos com leishmaniose.

Uma terapia nova (Diclazuril) tem recebido grande notoriedade. Esta combinação nova é um derivado do triazine que é usado como um coccidiostático em outros países por vários anos. O local ao qual estas combinações mostram seu efeito é no cloroplasto, que não existe em mamíferos. Por isto, a combinação não deveria ser tóxica a mamíferos, porém, os estudos de toxicidade não foram completados.

A eficácia desta combinação é bem parecida à terapia standard discutida acima, porém, o período de tratamento é muito mais curto (4 semanas) e então menos caro. Esta combinação foi principalmente usada em cavalos que recaíram depois da terapia standard, com sucesso razoavelmente bom.

Um derivado triazine adicional (Toltrazuril) está disponível pelas mesmas fontes como o Diclazuril. Estão sendo executadas tentativas clínicas atuais em vários locais ao longo do EUA para estabelecer sua eficácia contra Sarcocystis neurona.

Quando o cavalo apresentar um começo agudo de EPM que resulta em sinais clínicos dramáticos e progressivos, o uso de antiinflamatórios é recomendado. Uso de antiinflamatórios como fenilbutazona, flunixim meglumine e a administração intravenosa de Dimetil Sulfóxido de grau médico (DMSO) em uma solução 10% pode ser útil.

Tratamentos auxiliares incluem capacetes acolchoados, ataduras, higiene da baia e do próprio animal.

Relatórios de EPM desde março de 1996 indicam que recaídas acontecem em aproximadamente 10% das vezes. Mais recentemente, foi sugerido que a taxa de recaída gira em torno de 28%. Porém, isto pode ser composta pela retirada prematura dos medicamentos ou irregularidades durante administração.

A eficácia de terapias preventivas (vacinações) está aberta a debate.

 

PREVENÇÃO

 

Não há nenhuma prevenção definitiva conhecida na atualidade para esta doença.

A maioria das recomendações para o controle foi dirigida contra a vida selvagem envolvida pelo ciclo de vida de Sarcocystis falcatula.

Na atualidade, mantendo gambás e outros roedores longe da sua cocheira, do seu alimento e da cama, como também métodos para manter pássaros do lado de fora, são as únicas medidas que podemos recomendar neste momento.

É sabido que vacinas efetivas para doenças protozoárias são difíceis de produzir. Agora que esta doença foi reproduzida prosperamente no laboratório, tentativas podem ser levadas a cabo para determinar se a vacinação é eficaz.

 

 

 

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