Febre Maculosa

Publicado: 3 de novembro de 2011 em ARTIGOS
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Programa Nacional de Vigilância da

Febre Maculosa Brasileira e Outras Rickettsioses

Febre Maculosa Brasileira:

􀀹 Zoonose infecciosa aguda

􀀹 Bactéria gram (–) intracelular obrigatória

􀀹Transmissão: picada de carrapatos

􀀹Menos comum: esmagamento carrapato, fluídos, fezes carrapato, pulga

􀀹 Letalidade variável

 


Rickettsia rickettsii

ORGANISMO DOENÇA LOCALIZAÇÃO GEOGRÁFICA
Rickettsia rickettsii Rocky Mountain spotted fever América do Norte, Sul e Central
Rickettsia conorii
Mediterranean spotted fever, boutonneuse fever, Israeli spotted fever, Astrakhan fever, Indian tick typhus
Europa, Ásia, África, Índia, Israel, Sicília, Rússia
Rickettsia akari Rickettsialpox Cosmopolita
Rickettsia sibirica Siberian tick typhus, North Asian tick typhus Mongólia, Europa, Sibéria, China,
Rickettsia australis Queensland tick typhus Austrália
Rickettsia honei Flinders Island spotted fever, Thai tick typhus Austrália, Ásia
Rickettsia africae African tick‐bite fever África, Caribe
Rickettsia japonica Japanese or Oriental spotted fever Japão
Rickettsia felis Cat flea rickettsiosis, flea borne typhus Cosmopolita
Rickettsia slovaca Necrosis, erythema, lymphoadenopathy Europa
Rickettsia

heilongjaiangensis

Mild spotted fever China, Rússia
Rickettsia parkeri Mild spotted fever EUA
Fonte: Site CDC

Febre Maculosa Brasileira:

􀀹
(1896) – “black measles” – Snake River Valley

􀀹
Maxcy (1899) – Febre Montanhas Rochosas

􀀹
Ricketts (1906-1909) – observação do microorganismo e do vetor


Dr. Howard Taylor Ricketts

Histórico

Brasil:

􀀹
José Toledo Piza (1929) – Tifo Exantemático de São Paulo

􀀹
Octávio Magalhães (década de 30) – “tifo exantemático neotrópico” em Minas Gerais

Objetivos da Vigilância

􀀹Detectar e tratar precocemente casos suspeitos

􀀹Avaliar a doença segundo lugar, tempo e pessoa

􀀹Investigar e controlar surtos

􀀹Determinar local provável de infecção (área de risco)

􀀹Recomendar medidas de controle e prevenção

􀀹Apoiar em treinamentos para assistência

Notificação Compulsória

A febre maculosa brasileira (FMB) é doença de notificação compulsória – DNC, regulamentada pela Portaria nº 2325/GM de dezembro de 2001:

Art. 1º – “Os casos suspeitos ou confirmados das doenças, constantes no Anexo I desta Portaria, são de notificação compulsória às Secretarias Municipais e Estaduais de Saúde e ao Ministério

da Saúde.”

Definição de Caso Suspeito

  1. Suspeito:

􀀹Febre de início súbito, cefaléia, mialgia e

􀀹História de picada de carrapato e/ou

􀀹Frequentado área de transmissão nos últimos 15 dias

  1. Suspeito:

􀀹Febre de início súbito, cefaléia, mialgia e

􀀹Exantema máculo-papular entre o 2º ao 5° dia de evolução e/ou

􀀹Manifestações hemorrágicas

Distribuição no Brasil

SP: 1929

MG: década de 30

RJ: 1981

ES: 2000

SC: 2003

DF: 2005

PR: 2005

RS: 2005

 

 

 

 

 

 


Fonte: SVS/MS



Amostra para Diagnóstico

Amostras e Técnica Laboratorial:

􀀹
Sangue / coágulo sanguíneo – isolamento, PCR

􀀹Soro – Imunofluorescência Indireta/IFI

􀀹
Tecidos – Imunohistoquímica/IHQ

􀀹
Carrapatos – taxonomia, IFI e isolamento

Sorologia – Interpretação

IFI – Pesquisa de IgM e IgG:

􀀹Títulos de anticorpos, superiores a 1:64 em amostra única ou diferença de 4 vezes em amostra pareada, com intervalo de 14 a 21 dias 􀀹Anticorpos são detectados a partir do 5º ao 7º dia de doença


Interpretação

Interpretação da Imunohistoquímica:

􀀹
Imunohistoquímica em tecidos, coágulos ou vetores é confirmada quando apresenta reação positiva para antígenos rickettsiais

Importante: Ausência de reação imunohistoquímica não descarta a enfermidade


Características

Imunidade : Duradoura ( ? )

Susceptibilidade : Universal

Período de Incubação : 2–14 dias (média 7 dias)

Letalidade:

􀀹Brasil: 30% (0 – 42%)

􀀹Formas graves: 80%

Importante: 20 a 30% sem histórico de picada de carrapato

Patogenia

Vasculite:

􀀹Células endoteliais

􀀹Disseminação – corrente sanguínea e linfática

􀀹Interior da célula – replicação binária

Aumento de permeabilidade vascular:

􀀹Edema, hipovolemia e isquemia

Trombocitopenia:

􀀹Aumento do consumo de plaquetas em resposta à injúria endotelial

Sinais e sintomas

Doença multissistêmica:

􀀹Curso clínico variável – quadros brandos a graves

􀀹Início geralmente abrupto

􀀹Sintomas iniciais inespecíficos:

􀀹Febre alta (> 3 dias – 99 a 100%)

􀀹Cefaléia

􀀹Mialgia intensa

􀀹Mal-estar generalizado

􀀹Diarréia, náusea, vômito e dor abdominal (63%)

Doença multissistêmica:

􀀹2º ao 6º dia – exantema máculo papular:

􀀹5 a 20% sem máculas

􀀹Evolução centrípeta

􀀹Região palmar e plantar


Exantema Petéquias Sufusões Equimoses


Necrose



Casos graves:

􀀹
Edema de membros inferiores

􀀹
Hepatoesplenomegalia

􀀹
Manifestações renais: oligúria e insuficiência renal aguda

􀀹
Manifestações gastrointestinais: náusea, vômito, dor abdominal e diarréia

􀀹
Manifestações hemorrágicas: petéquias, exantema, sangramento muco-cutâneo, digestivo e pulmonar

􀀹Manifestação pulmonar: tosse, edema pulmonar

􀀹Alterações radiológicas incluindo infiltrado alveolar, pneumonia intersticial e derrame pleural

􀀹Manifestações neurológicas: cefaléia, déficit neurológico, meningite/meningoencefalite com líquor claro.



Diagnóstico diferencial

Síndrome Febril:

  • Influenza
  • Rubéola
  • Dengue Clássico
  • Febre Amarela ( fase virêmica )
  • Outras arboviroses
  • Enteroviroses
  • Malária
  • Síndrome da Mononucleose
  • Febre Tifóide

Síndrome Febril (Íctero) Hemorrágica:

  • Meningococcemia
  • Dengue Hemorrágica
  • Febre Amarela
  • Arboviroses
  • Arenaviroses
  • Hantavírus
  • Doenças Vias Biliares
  • Hepatites Virais
  • Malária Grave por Falciparum
  • Febre Tifóide
  • Sepse
  • Outras Rickettsioses
  • Febre Purpúrica Brasileira

Tratamento

Casos leves e moderados:

􀀹Doxiciclina – oral

􀀹Não usar: gestante e suspeita de meningococcemia

Casos graves:

􀀹Cloranfenicol – endovenosa

Importante:

􀀹Não esperar resultado laboratorial para tratar

􀀹Não recomenda-se tratamento profilático

􀀹Tratado entre 4º ao 5º dia: febre regride em 24 a 72h

Vetor, Hospedeiro, Reservatório

􀀹Ártropodes

􀀹Corpo não segmentado

􀀹Sem asas

􀀹04 pares de patas (ninfa e adulto) e 03 (larva)

􀀹Sem antenas

􀀹Hematófago obrigatório

􀀹Reprodução sexuada

􀀹Ovíparo


Principal carrapato:

􀀹
Amblyomma cajennense

􀀹
Carrapato estrela, do cavalo,

􀀹
Vermelhinhos

􀀹
Micuins A aureolatum

Outros carrapatos envolvidos:

􀀹
Amblyomma dubitatum (cooperi)

􀀹
Amblyomma aureolatum



Ciclo de Vida

Amblyomma sp

Principais hospedeiros: cavalos e capivaras

Sazonalidade:

Janeiro a abril – forma adulta

Maio a agosto – forma larval



Vetor, Hospedeiro, Reservatório


Vigilância Acarológica

Manual (animais, ambiente…)

Captura com arrasto


Captura com e armadilha

dióxido de carbono, feromônio


Controle

Hospedeiro / reservatório:

Controle químico

Manejo:

Limpeza de pastos

Rotação de pastagem

Controle Biológico: aves


Prevenção

Importante:

Manter grama baixa

Proteção individual

Uso de roupas claras

Vistoria de carrapatos periódicas



Importante:

Revisão no corpo de 4 em 4 horas

Remoção carrapato

Desinfecção local

Nunca espremer

Não remover com fogo ou instrumento perfurante


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