Estrangulamento do intestino delgado junto a banda mesodiverticular e divertículo de Meckel.

Publicado: 28 de janeiro de 2015 em ARTIGOS, CASOS CLÍNICOS
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28 de janeiro de 2015

 

 

 

Relato de Caso

 

 

Estrangulamento do intestino delgado junto a banda mesodiverticular e divertículo de Meckel.

José Joffre Martins Bayeux° – Médico veterinário Autônomo – jjveterinario@hotmail.com

 

 

RESUMO

 

Objetivo: Apresentar um caso clínico de Vólvulos secundário ao estrangulamento do delgado na região do divertículo de Meckel pela banda mesodiverticular em um campolina macho de 7 anos como uma entidade clínico-patológica rara, porém de importância diagnóstica.

Um caso de vólvulo do jejuno e íleo cavalos com estrangulamento intestinal associado a uma banda mesentérica jejunal que no seu ponto de ligação com a anomalia classificada como uma fita mesodiverticular, presa à superfície dorsolateral do jejuno, formando um lado do um saco hernial triangular adjacente mesentério jejunal. Encarceramento de um loop de intestino delgado com ruptura do saco herniário do mesentério jejunal precedido por um estrangulamento intestinal.  O cavalo foi eutanasiado devido a ruptura intestinal e peritonite difusa encontradas na laparotomia exploradora.

Método: Apresentação de um caso e revisão da literatura

Palavras-chave: divertículo, meckel´s diverticulum, mesodiverticular band, intestinal obstruction, strangulation, equine

INTRODUÇÃO

Durante o desenvolvimento embrionário inicial, a ligação entre o intestino e o saco vitelino é reduzida a um ducto estreito (vitelina). Associado a este ducto, existem duas artérias vitelinas que atingem o saco vitelino. Esta conexão é finalmente perdida e é vista ocasionalmente como um pequeno divertículo (de Meckel) no jejuno de adultos. Por vezes, o ducto vitelino ou ducto onfalomesentérico persiste e forma um ligamento ou banda fibrosa vitelo umbilical entre o intestino, ou divertículo de Meckel e o umbigo. O remanescente pode ser anexado ao mesentério ou a um loop de intestino, ou pode ser parcial e não atingir o umbigo, de qualquer forma a banda pode se envolver em um estrangulamento, obstrução, ou hérnia do intestino. A banda mesodiverticular, que é o resultado de uma artéria vitelina persistente e é ocasionalmente patente, se estende a partir da artéria mesentérica caudal, ou a partir de um ponto parcialmente ao longo da veia mesentérica para o lado antimesentérico do intestino ou o local do divertículo de Meckel. A banda é normalmente localizada no jejuno distal, cerca de 1,5 m da junção ileocecal. O triângulo formado pela banda (fig1) pode levar ao estrangulamento do intestino delgado e, às vezes, pode resultar vólvulos secundários. O encurtamento do mesentério pela banda mesodiverticular no ponto de ligação pode conduzir a vólvulos intestinais pequenos. A banda mesodiverticular pode ser encontrada como um achado incidental; embora seja uma anomalia congênita, que pode causar uma obstrução intestinal em cavalos maduros. No caso em apreço, a banda mesodiverticular foi significativa e representaram os sinais clínicos.

A prevalência do divertículo de Meckel é congênita, geralmente assintomática, porém podendo levar a complicações fatais. Divertículos podem estar presentes no cólon, íleo (divertículo de Meckel), duodeno, faringe e esôfago, estômago e jejuno. A incidência de diverticulose jejunoileal na população equina adulta, embora não catalogada é um achado raro na maioria das casuísticas hospitalares; Ele está localizado na fronteira antimesentérica do íleo a cerca de 60 cm da válvula ileocecal. O divertículo de Meckel é composto pela persistência do ducto onfalomesentérico, determinando a existência de um cordão fibroso entre o umbigo e o íleo e um leito vascular obliterado. As complicações de sangramento nas fezes, obstrução do intestino delgado, diverticulite, intussuscepção, perfuração, anormalidades umbilicais e tumores podem ser evidenciadas.

Fig1- Representação artística de divertículo de Meckel em Teile do intestino delgado. Autor: Raziel 26. maio 2006

 diverticulo

Caso

Equino, campolina, macho de 07 anos de idade apresentando  dor abdominal intensa, refratária a analgésicos (anti-inflamatórios não esteroides), leve distensão abdominal, clinicamente desidratado, aumento da frequência cardíaca, hipomotilidade nos quatro quadrantes, mucosas levemente congestas e temperatura 38,5C. Refluxo nasogástrico e alças distendidas do intestino delgado em exame transretal.

Encaminhado ao Hospital Veterinário da Universidade Anhembi Morumbi, apresentava um quadro álgico leve e o início da terapia de choque iniciada.

Exame citológico do fluído peritoneal mostrou uma contagem de células nucleadas e proteína total elevadas, bem como hematócrito 52%e proteínas totais 8,0.

A intensa fluidoterapia efetuada com procinéticos, protetores de mucosa e antibióticos perdurou por 6 horas, o quadro apresentou leve melhora e os sinais clínicos obtiveram uma otimização, com a frequência cardíaca estabilizada em 45bmp, porém um novo quadro severo de dor revelou a necessidade de uma laparotomia exploratória

Na exploração abdominal, múltiplas laçadas de intestino delgado foram encarceradas entre uma banda que se estende a partir do mesentério intestinal para a borda antimesentérica para o íleo proximal: banda mesodiverticular estrangulando o delgado no divertículo de Meckel (fig 2).

O comprometimento circulatório do segmento de intestino delgado estendia-se até junto do orifício ileocecal. Este fato, associado à presença de conteúdo do lúmen na cavidade, fibrina, congestão vascular, edema, ausência de motilidade de grande secção de delgado e evidências de uma peritonite difusa nos levou a decisão de eutanásia do animal .

Fig 2 – Lesão isquêmica, perfurada do divertículo de Meckel junto a banda mesodiverticular

 IMG_4498

Conclusão: Embora as estatísticas internacionais não apresentem muitos casos desta patologia, a taxa de complicações relacionadas com vólvulos no divertículo de Meckel  é alta, sendo  uma variedade de estrangulamento do intestino delgado pela banda mesodiverticular no divertículo a responsabilizada pela necrose e perfuração da alça  jejunal; constituindo neste caso, a única incidência obstrutiva/estrangulativa de abdômen agudo cirúrgico documentado em mais de 20 anos de minha prática veterinária.

Referências

  1. Van den Boom R, Van der Velden MA. Short-and long-term evaluation of surgical treatment of strangulating obstructions of the small intestine in horses: a review of 224 cases. Vet Q 2001;23:109–115.[PubMed]
  2. De Bosschere H, Simoens P, Ducatelle R, Picavet T. Persistent vitelline arteries in a foal. Equine Vet J 1999;31:542–544. [PubMed]
  3. Freeman DE, Koch DB, Boles CL. Mesodiverticular bands as a cause of small intestinal strangulation and volvulus in the horse. J Am Vet Med Assoc 1979;175:1089–1094. [PubMed]

Agradecimentos:

Aos veterinários do Hospital Veterinário da Universidade Anhembi Morumbi e ao proprietário do deste belo animal que lutou junto a nós, comemorando e sofrendo as pequenas vitórias e seu desfecho desfavorável.

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